Picos(PI), 16 de Novembro de 2018

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DESCASO
Aterro sanitário se transforma em “lixão” e prejudica moradores do Val Paraíso
Postado em 05/11/2018 por Jailson Dias
Airton lamenta ainda que o aterro sanitário não esteja funcionando como deveria, conforme foi dito na época da sua instalação
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Lixão do Val Paraíso
Foto: Edson Costa

O aterro sanitário do município de Picos, estabelecido às margens da BR 316, próximo ao povoado Val Paraíso, se transformou em um “lixão a céu aberto”, e tem prejudicado os moradores daquela comunidade. Quando foi transferido da Altamira pelo então prefeito Kléber Eulálio, o local de depósito de todo o material descartável da cidade deveria funcionar como um aterro sanitário, conforme recomendação do Ministério Público Estadual e em obediência a Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), mas não é o que tem acontecido.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê que todos os mais de cinco mil municípios brasileiros dispusessem de um aterro sanitário, onde deveria ser realizado o descarte correto do lixo, no entanto não é o que se tem visto em Picos. Através desse sistema, são cavadas grandes valas onde o lixo é depositado e soterrado. Destaca-se que o material descartável deve ser isolado por uma manta sintética, para que não haja contaminação do lençol freático nem do ar.

A equipe do Folha Atual esteve no aterro sanitário e registrou a situação. Quilômetros de lixo a céu aberto, inclusive materiais hospitalares. Em meio a urubus e outras aves há pessoas que sobrevivem do que coletam no local. Dentre elas está Denilson Santos, 30 anos. Ele informou que cata lixo há 15 anos e quando o lixão foi transferido da Altamira para o Val Paraíso, acompanhou.

Quando chegou no novo local, o catador informou que incialmente havia o trabalho de compactação do lixo, mas esse deixou de ser feito há bastante tempo. “Tá tudo a céu aberto, como vocês podem ver. Pegou fogo há alguns dias”, relatou.

Denilson Santos coleta papelão e manda para uma fábrica, recebendo aproximadamente R$ 250 por semana pelo serviço. Outras 50 pessoas fazem o mesmo. Ele relata que o fogo que tem tomado o lixão com frequência se espalha com mais facilidade devido ao material inflamável que ele e outras pessoas coletam para sobreviver. Não há qualquer seleção de plásticos, sacolas, lixo orgânico ou hospitalar. Tudo é despejado indiscriminadamente.

Nossa equipe foi até o Val Paraíso e conversou com os moradores. Eles se mostram indignados e desesperançados com essa situação. A senhora Maria Isabel de Araújo, 72 anos, protestou veementemente com o descaso das autoridades. Residindo há 58 anos na localidade, ela relata a multiplicação de insetos, como moscas varejeiras, ameaçando a saúde da população.

Maria Isabel

“E muitas vezes quando incendeia lá no lixo, a gente falta é se acabar da fumaça. Eu sou asmática e estou tomando remédio, porque a fumaça incomoda demais, aquele cheiro do plástico”, lamentou.

O vice-presidente da Associação de Moradores do Val Paraíso, Airton Lemos, 33 anos, informou que o prejuízo para a população da comunidade tem sido grande. “Muita fumaça, mosca. Você não pode mais colocar um alimento em cima da mesa, porque vêm os insetos, e já estamos preocupados com a questão do lençol freático, porque a nossa água é muito boa, mas com esse chorume pode prejudicar”, declarou.

Airton Lemos

Airton lamenta ainda que o aterro sanitário não esteja funcionando como deveria, conforme foi dito na época da sua instalação. Várias reuniões já foram realizadas com a prefeitura, além das manifestações e constantes matérias divulgadas pela imprensa. “Não sei até que dia vai, porque está um verdadeiro estado de calamidade”, comentou.

Nós conversamos com o secretário de Serviços Públicos de Picos, Airton Antônio Carvalho, sobre o problema do aterro sanitário. Ele informou que já solicitou da prefeitura a contração de uma nova empresa para administrar o aterro e fazer com que ele funcione como deve.

Airton relatou que a pasta chefiada por ele não tem como se responsabilizar por esse serviço. No entanto, até o momento não obteve uma resposta da prefeitura sobre a abertura de uma licitação para empresas interessadas. Até lá, a população do Val Paraíso vive dias de desgosto.

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